terça-feira, 8 de março de 2016

Personalidade e escolha profissional

"CONHECE-TE A TI MESMO"

Personalidade e Vocação

[páginas 66 a 77 da obra Psicologia do Comportamento Vocacional, de Carlos Roberto Martins, prof. de Psicologia da USP] 

Seis modelos de Personalidade

O modelo Realista

a) Definição conceitual: o indivíduo do tipo Realista adapta-se ao seu ambiente físico e social, (1) selecionando alvos, valores e tarefas que envolvem avaliação objetiva e concreta e a manipulação de objetos, ferramentas e máquinas, (2) evitando alvos, valores e tarefas que requerem subjetividade, intelectualidade, expressão artística ou sensibilidade e habilidades sociais. O tipo Realista é masculino, insociável, concreto, emocionalmente estável, autêntico e voltado para o presente.

b) Personalidade (sumário empírico): as subdivisões seguintes caracterizam os indivíduos Realistas em termos da evidência proporcionada pela pesquisa de literatura:

Alvos e valores: prefere profissões das áreas técnicas, de agricultura e engenharia. Tem valores convencionais, especialmente econômicos. Considera que os aspectos estéticos são de pequena importância.

Identificação e papéis preferidos: admira personagens dedicados como o Almirante Byrd e Thomas Edison; gosta de desenpenhos atléticos e masculinos, mas não sociais ou participantes; não gosta de desempenhar supervisão ou liderança. 

Atividades preferidas: gosta de atividades que envolvam habilidades motoras, objetos, realismo, estrutura. Tais atividades incluem atletismo, escotismo, artesanato, projetos científicos (apenas execução), coleções, desenho mecânico, mecânica, trabalho de oficina, jardinagem, corrida, tiro ao alvo. 

Aversões: evita situações que requerem auto-expressão independente (papéis personalizados e artísticos), onde venha a ser centro de atenções; evita tarefas intelectuais e verbais que exigem pensamento abstrato e leitura; evita situações de trabalho que exigem roupas muito formais ou linguagem, maneiras e traços padronizados.

Autoconceito: o indivíduo de tipo Realista se vê como maduro, masculino, prático, convencional (no sentido de alguns valores), persistente, insociável, humilde, submisso, natural (não exibicionista), favorável à mudança e tendo uma pequena amplitude de interesses. Classifica-se num nível baixo de autoconfiança, linguagem, redação, originalidade e liderança.

Realização e originalidade: realiza-se principalmente em áreas técnicas e atléticas; tende a render pouco nas áreas acadêmica, social e artística. O tipo Realista é um dos menos originais dos seis tipos: raramente tem desempenho criativo.

Perspectiva e percepção: tem perspectivas mais simples do que complexas; é mais dependente dos outros em situações de julgamento; em testes objetivos, suas habilidades perceptuais mostram uma qualidade constritiva e uma inabilidade para integrar os diversos estímulos. 

Aptidões e capacidades especiais: tem mais aptidão matemática do que verbal; suas habilidades mecânicas e psicomotoras excedem suas aptidões numérica, verbal e perceptual.

c) Personalidade (formulação teórica): o indivíduo Realista afirma-se desenvolvendo habilidades atléticas e motoras, identificando-se com heróis e homens práticos, e adquirindo bens materiais. A operação de máquinas, ferramentas e veículos (especialmente veículos pesados) serve para aumentar seu senso de bem-estar e poder. Reduz tensão limitando suas relações sociais, evitando tarefas ou atividades intelectuais e introvertidas, evitando novas tarefas e desempenhando papéis masculinos. Defende-se em situações sociais desempenhando um papel submisso ou passivo, sendo humilde e desenvolvendo suas habilidades físicas como compensação para sua falta de habilidade intelectual e social.

O indivíduo Realista difere do Intelectual no sentido de ser mais prático, emocionalmente estável, masculino e convencional do que este. O indivíduo Realista é menos acadêmico (menos apto a obter um grau de doutor), menos original, menos sociável, menos perspicaz em relações interpessoais, menos independente e menos autoconfiante, em relação ao tipo Intelectual.

O indivíduo Realista difere dos indivíduos de tipos Social e Empreendedor principalmente quanto a habilidades sociais e interesses. Além disso, é mais masculino e menos original que o tipo Artístico. Difere ainda do tipo Convencional por ser menos responsável e sociável e mais impulsivo, estável, masculino, submisso e autodeprecatório. [Para pensar num tipo masculino e submisso, pense, por exemplo, em um soldado.]

Antecedentes e desenvolvimento pessoal: um tipo particular de antecedentes e história evolutiva produz um tipo particular de personalidade, embora nossas evidências sobre as exatas relações sejam grosseiramente incompletas. A mãe e o pai de um tipo Realista tendem a ter um nível elementar de educação e ser geralmente estrangeiros [isso nos EUA]. As facilidades em seu lar - muitas ferramentas e poucos livros - produzem uma experiência especial que é conducente com um resultado associado a esse tipo. O status socioeconômico baixo da família é consistente com a automodéstia do tipo Realista. Esta modéstia pode ocorrer, em parte, por causa do fracasso em obter uma gama maior de competências sociais e pessoais no processo de crescimento, uma vez que as famílias de nível socioeconômico mais baixo estão menos capacitadas para proporcionar treinamento, material e tempo para tais objetivos. Geralmente, o papel das atitudes paternas na escolha profissional é obscuro. Embora tenham ocorrido alguns poucos resultados positivos, as relações entre as atividades paternas e as escolhas profissionais, para esse tipo, têm se mostrado pequenas e geralmente desprezíveis.

O modelo Intelectual

a) Definição conceitual: o indivíduo de tipo Intelectual adapta-se ao ambiente social e físico através do uso da inteligência: resolve os problemas principalmente através da manipulação de ideias, palavras e símbolos, mais do que de suas habilidades físicas e sociais. O indivíduo Intelectual é caracterizado por adjetivos tais como analítico, racional, independente, radical, abstrato, introvertido, cognitivo, crítico, curioso e perceptivo. 

b) Personalidade (sumário empírico): as seguintes subdivisões caracterizam o indivíduo Intelectual em termos das evidências empíricas:

Alvos e valores: prefere profissões científicas, valores teóricos e, em menor grau, problemas e tarefas estéticas. 

Identificações e papéis preferidos: admira Curie, Darwin, Russell, Oppenheim e Burbank; prefere o desempenho de trabalhador independente, sem dar ou receber qualquer ajuda; prefere ser ele mesmo (não um ator, socialmente falando). 

Atividades preferidas: aprecia atividades através das quais possa expressar sua orientação associal, analítica e imaginativa: leitura, projetos científicos (planejamento), coleções, fotografia, exploração (no sentido de pesquisa desinteressada), álgebra, línguas estrangeiras, física, trigonometria e atividades criativas como arte, música, escultura. 

Aversões: evita situações que requerem habilidades sociais ou interações sociais agressivas e difíceis.

Autoconceito: vê-se como insociável, masculino, persistente, autocontrolado, independente, acadêmico, intelectual, introvertido, modesto, original, não exibicionista, não prestativo e nem prático. 

Realização e originalidade: realiza-se principalmente nas áreas acadêmica e científicas. Tende a ser pobre como líder. O tipo Intelectual é o mais original dos seis tipos. Obtém altos escores em escalas de originalidade e tende a conquistar prêmios e reconhecimento por realizações criadoras em ciência. 

Perspectiva e percepção: tem uma perspectiva mais complexa do que simples, boa capacidade de reorganização espacial e flexível ao nível de adaptação [reconstrução de espaços]. É relativamente pouco influenciado pelo "quadro de referência inclinado" (em experimentos taquistoscópicos). Essas qualidades implicam independência e originalidade. 

Aptidões e capacidades especiais: escores elevados tanto em aptidões verbais [escrever, conferenciar] como matemáticas.

Desenvolvimento pessoal: nosso conhecimento sobre os antecedentes familiares desse tipo é limitado. Pai e mãe tendem a ser bem educados (no sentido escolar). O pai aprova a curiosidade do filho e a mãe parece ter atitudes permissivas durante a criação. 

c) Personalidade (formulação teórica): o tipo Intelectual afirma-se obtendo poder através do conhecimento e da realização intelectual. Essa manobra leva frequentemente a um controle extensivo, embora indireto, de outras pessoas. Sua intelectualidade decorre provavelmente, em parte, como compensação por sua falta de habilidades social e motora; ela pode ainda ser o resultado da aprovação direta, pelos pais, de sua inteligência e de seu potencial. O tipo Intelectual reduz tensão evitando outras pessoas (insularidade), projetando-se (hostilidade defensiva), racionalizando (intelectualização, formulando uma teoria sobre a coisa), e obtendo segurança através do conhecimento (perfeccionismo, inatacabilidade). De maneira idêntica, defende-se em situações sociais sendo submisso, modesto e, quando acossado, negativo. Sua automodéstia pode ter tido origem na discrepância entre sua imagem idealizada do que deveria ser e aquilo que na realidade é (em contraste, a modéstia do tipo Realista é provavelmente o resultado de treinamento inadequado por causa de sua origem socioeconômica baixa). 

As diferenças entre o indivíduo Intelectual e o Realista foram sumarizadas anteriormente (na definição do tipo Realista). O indivíduo Intelectual difere do Artístico no sentido de que este é mais feminino, impulsivo, irresponsável, instável e faz grande uso de seus sentimentos e intuições como guias na solução de problemas e na criação artística. O indivíduo Intelectual é menos sociável e convencional que os indivíduos de tipo Social, Convencional e Empreendedor.

O modelo Social

a) Definição conceitual: o indivíduo de tipo Social adapta-se ao seu ambiente selecionando alvos, valores e tarefas nos quais ele pode usar sua habilidade com um interesse em outra pessoa, no sentido de treinar ou modificar seu comportamento. O indivíduo Social é tipificado por sua habilidade social e sua necessidade de interação social; suas características incluem sociabilidade, criação (no sentido de dispensar cuidados a alguém), presença social, capacidade para status, dominância e propensões psicológicas. O tipo está relacionado com o bem-estar de pessoas dependentes: pobres, deseducados, doentes, jovens e velhos. Na solução de problemas confia mais em suas emoções e sentimentos do que em seus recursos intelectuais.

b) Personalidade (sumário empírico): as subdivisões seguintes caracterizam o tipo Social em termos de evidências empíricas:

Alvos e valores: prefere profissões das áreas educacional, terapêutica e religiosa. Valoriza problemas e atividades sociais, éticas e religiosas. 

Identificações e papéis preferidos: prefere atividades que envolvem expressões religiosas, sociais e estéticas, incluindo serviços religiosos, de educação pública e comunitária, música, literatura, esporte, redação, drama, discurso público, línguas estrangeiras, história, jornalismo, lazer criativo em arte. 

Aversões: evitam desempenhos masculinos que requerem habilidades motoras, uso de ferramentas e máquinas, ou expõem a perigo físico. Tais atividades evitadas incluem trabalho em oficina, equitação, mecânica de automóveis e construção de modelos. 

Autoconceito: vê-se como sociável, com capacidade para dispensar cuidados de criação, alegre, aventureiro, feminino, conservador, dependente, dominante, não acadêmico, responsável, com propensões psicológicas, intelectualmente eficiente, realizador, com boa auto-apreciação, impulsivo, não socorrente. Classifica-se em nível alto quanto à liderança, fluência verbal, popularidade, originalidade, condições para realização, confiança, escolaridade, agressividade, autocontrole, conservadorismo, tendência prática, expressividade, autocompreensão e perseverança. Tem uma auto-imagem positiva. 

Realização e originalidade: dos seis tipos, o Social classifica-se em terceiro lugar quanto à originalidade. Suas realizações tendem a ser nas áreas de liderança, arte e escolaridade (bom grau). 

Perspectiva e percepção: em testes ou medidas objetivas (principalmente taquistocópicas), tem um reajustamento flexível do nível de adaptação (associado com originalidade), é influenciado pelo "quadro de referência inclinado" (em experimentos taquistocópicos), associado com dependência e identificação com os outros; não é afetado por "posição influente" (associado com falta de constrição - isto é, não se constrange facilmente), e tem capacidade de reorganização pobre. 

Aptidões e capacidades especiais: tende a ter alta aptidão verbal, mas baixa aptidão matemática.

Desenvolvimento pessoal: o tipo Social vem geralmente [nos EUA] da zona rural. Adolescentes com antecedentes rurais parecem ser mais responsáveis, menos antagônicos aos pais e outras autoridades, e mais perfeccionistas e paranóides do que adolescentes com antecedentes urbanos. Essas características adolescentes são consistentes com os atributos do tipo Social adulto. Pai e mãe são relativamente bem educados em relação a outros tipos: tendem a ter muitos livros em casa. Os pais parecem dar alto valor ao autocontrole e baixo valor à curiosidade; isto é consistente com o estilo de solução de problemas dos tipos sociais. 

c) Personalidade (formulação teórica): o indivíduo de tipo Social afirma-se e enaltece-se ajudando pessoas dependentes (os fracos, os jovens, os doentes), e relacionando-se com o bem-estar das pessoas. Nesse sentido ele consegue amor, reconhecimento e status, tanto do ponto de vista social como profissional. Sua necessidade de relações pessoais cordiais é consciente, mas suas necessidades de dependência, poder e prestígio são geralmente inconscientes. O tipo Social diminui tensão e ansiedade por repressão e contradição e pela escola de profissões nas quais os papéis sociais estão bem definidos: médico-paciente, professor-estudante, supervisor-subordinado, ministro religioso-congregação. Ele também resolve tensões e ansiedade desempenhando um papel dependente, insinuante com outras pessoas, não cedendo a gratificações, a necessidades corporais (alimento e sexo), controlando os outros e dirigindo-se a outras pessoas. 

O tipo Social difere do Empreendedor por ser mais feminino, introvertido, útil, intelectual, perspicaz, cooperativo, amistoso, responsável, adepto de valores sociais e religiosos, e menos enérgico, agressivo, dominante, sociável, aventureiro, cético e entusiástico. O tipo Social difere do Convencional no sentido em que este último é mais autocontrolado, sisudo, masculino e submisso. O tipo Social é mais sociável, dependente e convencional que o tipo Artístico.

O modelo Convencional

a) Definição conceitual: o indivíduo Convencional adapta-se a seu ambiente físico e social selecionando alvos, tarefas e valores que sejam aprovados pelos costumes e pela sociedade. Concordantemente, sua abordagem aos problemas é estereotipada, prática, correta (ou precisa); falta-lhe espontaneidade e originalidade. Seus traços pessoais são consistentes com essa orientação. O tipo Convencional é bem controlado, sóbrio, sociável e cria uma boa impressão. É um tanto inflexível, conservador e perseverante.

b) Personalidade (sumário empírico): as subdivisões seguintes caracterizam o tipo Convencional em termos de evidências empíricas: 

Alvos e valores: prefere tarefas computacionais e de escritório; dá alto valor a assuntos econômicos e um baixo valor a assuntos estéticos e religiosos. 

Identificações e papéis preferidos: identifica-se com homens de negócio, principalmente "gigantes" financeiros: Baruch, Ford, Morgan, Wanamaker (todos ligados a negócios e finanças), etc. Seus desempenhos preferenciais não são claros. Algumas evidências sugerem tanto uma preferência para papéis de supervisão como um desejo de atuar como consultivos. 

Atividades preferidas: seus gostos sugerem um desejo para atividades estruturadas e passivas: teatro, música, jornalismo escolar, coleções, economia, aritmética, datilografia. 

Aversões: evita saídas comumente agressivas, masculinas, ou tarefas que requerem atividade espontânea, original, interativa. Tais atitudes evitadas incluem: trabalho em oficina, desenho mecânico, conserto de automóveis, navegação, futebol, escrever. 

Autoconceito: vê-se como masculino (uma defesa?), astuto, conservador, dominante, divertido, sujeito a pressões familiares para realização, consciencioso, sociável, academicamente pouco realizador, controlado, rígido, dependente, intelectualmente ineficiente, causador de boa impressão, estável. Classifica-se em baixo nível como líder, mas alto em confiabilidade, escolaridade, polidez, conservadorismo, tendência prática, jovialidade e perseverança. É considerado por outros como tendo baixos níveis em habilidades verbais e liderança.

Realização e originalidade: em relação a outros tipos, o indivíduo Convencional é um dos dois tipos com menor potencial para realização criativa. Esse aspecto é extremamente consistente com nossos conhecimentos sobre criatividade e sobre esse tipo.

Perspectiva e percepção: em tarefas taquistocópicas, o tipo Convencional é inflexível no reajustamento do nível de adaptação (estereotipada e não original), sujeito à influência de posições (constritado), e inábil para reorganizar-se. As escalas de originalidade indicam que o indivíduo Convencional tem perspectivas simples, e que é dependente dos outros em seus julgamentos.

Aptidões e capacidades especiais: tem mais aptidões matemáticas do que verbais.

Desenvolvimento pessoal: a correlação entre as antecedentes familiares e a personalidade adulta é maior para o indivíduo Convencional do que para os outros. O pai dá pouco valor ao fato de o filho ser curioso e independente. A mãe, que tende a ser uma pessoa isolada, expressa atitudes restritivas na criação; reprime qualquer coisa ligada a sexo e agressão. Encoraja mais ações do que leituras ou outros aspectos intelectuais. Esses dados parecem consistentes com os atributos passivo, não original e constritado do indivíduo Convencional.

c) Personalidade (formulação teórica): o indivíduo Convencional afirma-se pela indentificação com grandes líderes financeiros ou de negócios, pela aquisição de bens e pelo desempenho de papéis de um bom subordinado. Nega sua dependência e enfatiza a importância da perfeição, prestígio e ambição. Através desse comportamento adaptativo obtém status profissional e social.

O indivíduo Convencional diminui tensão e ansiedade pela conformação a normas e valores culturais, identificando-se com elas. Do mesmo modo obtém conforto insinuando-se entre os outros e limitando suas relações sociais a pessoas que ele conhece bem. Evitando atividades persuasivas e expressivas, procura não interferir em problemas de sentimentos - tanto seus como de outras pessoas -, fenômeno que ele não pode enfrentar facilmente por causa de seu treino repressivo remoto. Similarmente, ele se defende mantendo autocontrole, sendo dependente, reprimindo, restringindo sua vida a fronteiras muito estritas, e limitando seu desenvolvimento no trabalho e com outras pessoas. Sua escolha de profissões orientadas no sentido de estruturações com seus padrões de certo ou errado expressa sucintamente seu estilo de vida. 

O indivíduo Convencional está mais relacionado com os tipos Empreendedor e Social. Difere do tipo Empreendedor por ser menos sociável, agressivo, dominante, original, entusiástico, impulsivo, autoconfiante e conservador que este último. O tipo Convencional é também mais responsável, mais dependente e conservador que o Empreendedor. Difere também do Social por possuir grande autocontrole, ser mais sisudo e menos dominante, além de menos propenso a cuidar dos outros. 

O modelo Empreendedor

a) Definição conceitual: o indivíduo Empreendedor adapta-se ao seu mundo relacionando alvos, valores e tarefas através das quais pode expressar suas qualidades aventureiras, de dominância, de entusiasmo, de energia e de impulsividade. O tipo Empreendedor é caracterizado por seus atributos de persuasão, atributos verbais, extroversão, auto-aceitação, autoconfiança, agressividade oral, exibicionismo.

b) Personalidade (sumário empírico):

Alvos e valores: prefere profissões de venda, supervisão e liderança; dá alto valor a assuntos políticos e baixo a assuntos teóricos e estéticos.

Identificações e papéis preferidos: admira Carnegie, Churchill, Ford, Wanamaker; gosta de desempenhos masculinos, de poder, de liderança, geralmente em situações que envolvem despesas ou gastos. 

Atividades preferidas: prefere papéis sociais e atividades nas quais pode satisfazer suas necessidades de reconhecimento, de dominância, de expressão artística e verbal e nas quais pode desempenhar papéis masculinos, persuasivos e de poder. Tais atividades incluem atletismo, drama, redação, economia, línguas estrangeiras, música, discurso público, vendas, ensaios e poemas, atividades caritativas, jornalismo, cinema amador. O tipo Empreendedor envolve-se em maior número de atividades do que os outros tipos. 

Aversões: não gosta de atividades confinadas, manuais, não sociais, como, por exemplo, trabalho em oficinas, mecânica de carros, ou atividades acadêmicas que requerem persistência e concentração contínuas. 

Autoconceito: vê-se como dominante, sociável, alegre, aventureiro, conservador, impulsivo, não acadêmico, jovial, sujeito a controle paterno, não intelectual, com boa auto-aceitação (auto-avaliação positiva), estável e desejoso de status social. Classifica-se em nível alto em habilidades verbais e de liderança, em estabilidade emocional, popularidade, capacidade atlética, agressividade, tendência prática e autoconfiança. 

Realização e originalidade: realiza-se em áreas atléticas e de persuasão (liderança) e, em menor grau, em áreas artísticas. Em relação a outros tipos, seu potencial para comportamentos originais é por volta da média. 

Perspectiva e percepção: em tarefas taquistoscópicas o tipo Empreendedor tem pequena capacidade de reorganização. Sua perspectiva é colorida por intensas convicções políticas e valores orientados no sentido de status. 

Desenvolvimento pessoal: o tipo Empreendedor vem predominantemente de áreas urbanas. Seus pais têm status socioeconômico alto e são bem educados; têm muitos livros no lar. Sua mãe impeliu seu desenvolvimento e suprimiu seu interesse por sexo; essas atitudes são conducentes a alguns de seus atributos adultos. Seu pai o preferiu como sendo popular ao invés de curioso.

Seus antecedentes parecem reforçar o fato de que o tipo Empreendedor tem necessidade de reconhecimento, amor e recompensa materiais, o que busca em profissões que possam dar satisfações similares. Tais antecedentes ajudam a explicar por que um tipo Empreendedor evita profissões acadêmicas e intelectuais e dirige-se para pessoas.

c) Personalidade (formulação teórica): o tipo Empreendedor afirma-se e enaltece-se lutando por poder e controle, desenvolvendo suas capacidades atléticas, adquirindo bens e utilizando-se de outras pessoas. Algumas dessas atividades conduzem à obtenção de status social e profissional. Diminui tensão e ansiedade através de hiperatividade, comendo e bebendo, expressão sexual, graça e humor, repressão e negação. Sua defesa inclui agressão oral, dependência dos outros, narcisismo, regressão, auto-engrandecimento, identificação com grandes líderes e racionalização. O tipo Empreendedor difere do Artístico no sentido em que este é mais introvertido, feminino, autodepreciador, criativo, instável, independente, não convencional e insociável.

O modelo Artístico

a) Definição conceitual: o tipo Artístico adapta-se a seu ambiente físico e social usando seus sentimentos e emoções, intuições e imaginação para criar formas ou produtos artísticos. Para o tipo Artístico, a solução de problemas envolve expressão de sua imaginação e gosto através da concepção e execução de sua arte. 

Similarmente, ele confia principalmente em suas impressões subjetivas e fantasias para interpretação e solução dos problemas ambientais. O tipo Artístico é caracterizado também por suas perspectivas complexas, independência de julgamento, introversão e originalidade.

b) Personalidade (sumário empírico): 

Alvos e valores: prefere profissões ligadas à música, arte, literatura e teatro. Valoriza a estética e dá pequena importância a assuntos econômicos e políticos. 

Identificações e papéis preferidos: identifica-se com artistas e intelectuais famosos: Caruso, Picasso, Eliot e Russell. Aspira a ser um artista independente e criativo. Mais tipicamente, tende a se tornar professor em sua especialidade artística.

Atividades preferidas: prefere passatempos e atividades com algum aspecto criativo: debates, música, jornalismo, serviço comunitário, coleções, fotografia, história, poemas, ensaios, pintura.

Aversões: não aprecia atividades e papéis masculinos - atletismo, mecânica.

Autoconceito: vê-se como insociável, feminino, submisso, introspectivo, depressivo, sensitivo (paranóide), independente, radical, impulsivo, flexível, irresponsável, realizador, instável, natural, tenso e sujeito a pressões familiares para realizações. Classifica-se em nível alto quanto a habilidades redacionais, originalidade, destreza, independência, expressividade e autoconfiança, mas em baixo nível quanto à popularidade. 

Realização e originalidade: realiza-se principalmente no campo artístico. Em medidas de originalidade, geralmente tem escores mais altos que os dos outros tipos. A realização criadora no tipo Artístico excede a de todos os outros tipos. 

Perspectivas e percepção: em tarefas taquistoscópicas não é influenciado pelo "quadro de referência" (independência). Tem perspectivas complexas, flexíveis, independentes e não convencionais. 

Aptidões e capacidades especiais: suas aptidões verbais excedem, de muito, suas aptidões matemáticas. Tem excepcionais habilidades perceptuais e motoras que são conducentes à excelência em artes.

Desenvolvimento pessoal: as relações entre os antecedentes familiares do tipo Artístico e suas características adultas não são claras. Sua mãe expressa atitudes igualitárias com relação à criação. Seu pai espera que o filho tenha autocontrole e é menos relacionado com a sua capacidade para defender-se ou com sua confiança. O tipo Artístico provém de um grupo socioeconômico acima da média.

c) Personalidade (formulação teórica): exprimindo e desenvolvendo seu talento artístico, o tipo Artístico afirma-se de uma forma socialmente aceitável e, assim, ganha aprovação e reconhecimento. Simultaneamente, ele aprendeu a relacionar-se com pessoas através da forma indireta de sua arte e assim compensa sua alienação dos outros. 

Para aliviar-se da tensão e ansiedade gerada pelas relações interpessoais, evita relações diretas com os outros. Sua rejeição de valores convencionais é parte de seu movimento em direção oposta às pessoas. Esta rejeição é vantajosa para ele, porque embora incluído, mas não tão intimamente, na cultura, é relativamente livre para pensar, imaginar e criar novas formas fora das impostas pelos valores culturais que a maioria das pessoas tem. 

Sua auto-suficiência também se origina de sua falta de ligação com os outros. Assim, suas tendências perfeccionistas são em parte tentativas de adquirir inacessibilidade, embora tais tendências sejam também a consequência da adoção de um ego forte, nas primeiras idades. Essas idealizações podem levar à humildade por causa da disparidade entre seus ideais e suas realizações. Em sua forma extrema, esse desapego, não-sociabilidade e rejeição dos valores culturais transforma-se em negativismo. O artista produtivo provavelmente cai entre os extremos de aceitação inquestionável e de total rejeição da cultura. 

O tipo Artístico defende-se pela projeção, um resultado natural de seu fracasso em manter a comunicação correta que a boa inter-relação pessoal permite. Sua falta de socialização permite-lhe usar seus impulsos primitivos e infantis sob uma forma particular. Infelizmente, essa falta torna-o mais propenso a desenvolver distúrbios regressivos.     

 

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